Abla









Longe Dela – Away from Her, Canadá, 2006

Longe Dela é um filme que fala sobre o amor acima de todas as coisas. Fiona (Julie Christie) é casada com Grant (Gordon Pinsent) há 44 anos. O casal, apesar de ter passado por tempos difíceis, mantêm-se unido de uma forma admirável, aquela que vem à imaginação de todos quando pensam em alguém para envelhecer juntos. Fiona, no entanto, passa a apresentar sintomas de perda de memória, que logo se descobre ser os primeiros sintomas do Mal de Alzheimer. Uma das primeiras seqüências no filme, sem nos dizer da doença, já nos indica tudo. O casal janta junto e vai lavar a louça juntos. Grant seca a louça e entrega a Fiona para guardar, tudo está bem até que o marido entrega a Fiona uma frigideira. A esposa olha para o objeto como se jamais o tivesse visto, como se perguntasse para o que servisse tal utensílio. Depois de alguns segundos refletindo, ela abre o freezer e coloca o objeto dentro. O marido observa sorrindo e quando a esposa sai do ambiente, ele abre o freezer para retirar a frigideira e a colocá-la no lugar certo.
Cheio de sutilezas, sem declarar a doença abertamente, sem escândalos ou sem representações exageradas pelo impacto que causa a doença, o filme com música e detalhes simples mostra uma mulher acometida pelo esquecimento agindo de maneira muito terna e um homem tentando da maneira mais doce e apaixonada não ser esquecido pela esposa.
Um dos momentos de clímax do filme é quando Fiona diz que coisas que ela queria esquecer que aconteceram há muito tempo, ela não se esquece, como quando Grant a traiu com uma aluna (o marido era um professor universitário aposentado). Mesmo nesta hora de tensão, o filme se mostra encantador. Fiona, ao relembrar o episódio da traição, diz que nós seres humanos somos muito pretensiosos ao querer que o amor dure para sempre e seja dado exclusivamente a alguém “para toda a vida”. Afirma assim que mesmo entre contratempos, o casal estava unido até o momento e nem um dos dois havia deixado de amar o outro.
E a prova disso é que Fiona, devido a piora de sua doença, escolhe ir para uma clínica, onde Grant relutante a coloca e após um mês de total afastamento do marido exigido pela clínica para adaptação dos pacientes, Fiona o esquece por completo e Grant que após um mês aparece sorrindo e carregando um buquê de flores é recebido com um “Bem-vindo à clínica, senhor” dado por Fiona. E então o clímax do filme se dá, quando Fiona esquecida do marido se apaixona por outro paciente da clínica. Apesar de isso abalar Grant, não o desencoraja a ir à clínica todos os dias, às vezes nem para falar com a esposa que não o reconhece, mas para vê-la cuidando de sua nova paixão.
Não contarei mais para que possam assisti-lo, mas não há dúvida de que é um filme inesquecível que trata do amor não como paixões explosivas, mas como afeto eterno.
A frase inicial do filme, que é ainda repetida mais algumas vezes ao longo, dá todo o sentido a essa história belíssima. E também dá o título ao filme.


“E ela disse: Não seria engraçado se nos casássemos?”
“E você respondeu o quê?”
“Eu disse que sim. Nunca quis ficar longe dela. Ela sempre foi cheia de vida”



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1 Response
  1. Li Says:

    ah, que lindoo!!
    dá vontade de chorar só de ler essa parte... é um filme pra assistir com lencinho!
    você viu no moviecom arte?