Abla

Segue o Seco
Marisa Monte
Composição: Carlinhos Brown / Marisa Monte
A boiada seca
Na enxurrada seca
A trovoada seca
Na enxada seca
Segue o seco sem sacar que o caminho é seco
Sem sacar que o espinho é seco
Sem sacar que seco é o Ser Sol
Sem sacar que algum espinho seco secará
E a água que sacar será um tiro seco
E secará o seu destino secará
Ô chuva, vem me dizer
Se posso ir lá em cima prá derramar você
Ô chuva, preste atenção
Se o povo lá de cima vive na solidão
Se acabar não acostumando
Se acabar parado calado
Se acabar baixinho chorando
Se acabar meio abandonado
Pode ser lágrimas de São Pedro
Ou talvez um grande amor chorando
Pode ser o desabotoado céu
Pode ser coco derramando
Abla

Uma das coisas que mais gosto é, quando chove, ver o reflexo das luzes nas ruas e calçadas molhadas...
Abla

E depois de muito tempo de seca... Chuva!
O ar andava tão seco, que não houve quem reclamasse da chegada da chuva. Todos, alegres e molhados, abriram seus guarda-chuvas e sombrinhas, tiraram o pó de capas e galochas e foram para fora de suas casas, curtir aquele cheiro tão bom de terra molhada!
Abla
Viajar ! Perder países! Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.
Fernando Pessoa
Viagem é algo maravilhoso. Viajar pressupõe uma descoberta de novos mundos. Está relacionado com o desconhecido, com o diverso, com o diferente

. Viajar é aproveitar novos sabores, novas pessoas, novas éticas. Ainda que possa ser delicioso, nenhum viajar é fácil. Viajar pressupõe encarar o mistério, o desconhecido. Obriga-nos a lidar com a auteridade de forma brutal. Pode, muitas vezes, uma viagem tornar-se hostil e se não forte o suficiente, pode fazer o "viajante" querer voltar para seu lar, sua concha em que pode se encolher confortavelmente. Querer voltar para o lar não é uma crítica, de forma nenhuma. Apenas diz que viajar é para os fortes, para os corajosos que querem e se dispõem a lidar com o desconhecido, com o Outro, com aquele e tudo aquilo que é distinto do que conhece e viveu até então. Pressupõe dizer: "Eu quero mais. O que conheço, o que vivi e o que sei não é o bastante". Esta não é uma afirmação fácil de se fazer, porque requer maturidade do viajante de conseguir deixar um pouco do que acredita e vive para trás.
Esse post é assim dedicado a um corajoso viajante que se propôs a buscar mais: a querida Lili, geógrafa, que está agora feliz e saltitante pelas terras argentinas.
Foto em tom de aventura para o post é do filme El baño del Papa (Uruguay, 2007), filme belíssimo que a corajosa viajante e eu assistimos nas nossas "terças ao cinema".